segunda-feira, 4 de julho de 2016

Câmara de Comércio dos Açores alertam para a possibilidade dos fundos comunitários não serem totalmente aproveitados devido a atrasos

O Fórum da Câmara de Comércio e Indústria dos Açores, que reuniu no Faial dezenas de empresários, alertou para o atraso da implementação “na sua plenitude” do Quadro Comunitário de Apoio, que previa mobilizar 1,5 mil milhões de euros até 2020.

Os empresários referem que este apoio europeu é fundamental para o investimento e questionam se a Região vai conseguir aplicar todos os fundos comunitários disponíveis.

“O Quadro Comunitário de Apoio, que se propunha mobilizar 1,5 mil milhões de euros, à razão de cerca de 220 milhões por ano, com impacto fundamental para o investimento, está em vigor há três anos sem que esteja operacional na sua plenitude e em áreas fundamentais, questionando-se a capacidade de se recuperar a sua execução nos quatro anos remanescentes.

Com uma execução média muito abaixo dos valores expectáveis, o programa não está a contribuir na medida do desejável para a recuperação da economia dos Açores”, constatam os empresários açorianos.

Os principais atrasos na aplicação das verbas comunitárias verificam-se nos “vários subsistemas de incentivos do programa Competir + que não estão operacionais, como são os casos do Urbanismo Sustentável e Integrado e do Apoio à Eficiência Empresarial. Continua”.

Também não está disponível “o  necessário apoio à formação profissional e requalificação dos ativos”, aponta a Câmara de Comércio e Indústria dos Açores.

Os empresários sugerem ser “imperativo proceder à revisão das normas de aplicação dos sistemas de incentivos que se têm revelado inadequadas, burocratizadas e demoradas”.

Foi apontada a necessidade de recuperar programas para apoiar a reabilitação urbana, como o PROCOM e o URBCOM.

“Deve haver uma estratégia clara de privilegiar, direta e indiretamente, o investimento privado, situação que não se tem vindo a verificar”, salientam os empresários.

A Câmara de Comércio solicita ainda a realização de um estudo “independente e especializado sobre o que deve ser o modelo de transporte marítimo”, porque consideram que “o modelo atual não serve. Não é competitivo, não funciona adequadamente e as rotas e escalas definidas não são cumpridas”.

Também foi pedido um estudo sobre a aquisição de dois navios de passageiros e mercadorias, devido aos custos com a sua compra e manutenção.

Os empresários voltaram a defender a necessidade de investir nos portos de Ponta Delgada e Praia da Vitória.

Relativamente ao transporte aéreo os empresários solicitam uma “revisão em termos de custo e frequências” para corresponder às necessidades dos residentes e visitantes.

Foi ainda solicitado que seja resolvido o problema com o transporte aéreo de carga, uma “situação premente que continua sem resolução”.


Fonte: Açoriano Oriental

“O pulmão da indústria conserveira é a mulher, a faca e o peixe”

De empresa falida, a Santa Catarina passou a ser o maior empregador na ilha de São Jorge. Além das conservas gourmet, onde apostou, produz agora uma marca exclusiva para o Lidl e quer continuar a crescer.

Olhando para o céu, é difícil dizer com certeza o dia que aí vem. Cai uma chuva miudinha, mas não tarda o sol pode aparecer e, do outro lado do canal, o Pico dar o ar da sua graça. É incerto o Verão na ilha de São Jorge. Também a história da fábrica de conservas Santa Catarina foi marcada pela incerteza até que, depois da falência em 2009, o Governo Regional pegou na empresa. Desde então, o atum Santa Catarina tem vindo a afirmar-se, em Portugal e no estrangeiro, aproveitando a onda de revivalismo relacionado com as conservas e beneficiando do novo fôlego dado ao turismo na região dos Açores.

Numa ilha conhecida pela sua produção de leite e queijo e onde as mulheres tradicionalmente não trabalham fora de casa, a Santa Catarina é o principal empregador de São Jorge, absorvendo 11% dos trabalhadores por conta de outrem. É na sua maioria mão-de-obra feminina, que dificilmente encontraria trabalho remunerado noutra área.  

A importância para a economia local e para fixar pessoas na ilha (que tem cerca de 8500 habitantes) foram, de resto, as principais razões que levaram o governo regional a comprar a fábrica por um euro e a transformá-la numa empresa de capitais públicos. Já antes, em 1994, a câmara da Calheta - vila onde se situa a conserveira - tinha feito o mesmo, quando a fábrica da Sociedade Corretora que ali existia desde a década de 40 fechou as portas.

O segredo do caminho que tem vindo a ser feito de 2010 em diante, conta Rogério Veiros, presidente do conselho de administração da conserveira, é “a qualidade” e “a capacidade de acrescentar valor ao produto”. “Fomos pioneiros a adicionar sabores ao atum”, exemplifica, acrescentando que o principal passo para o desenvolvimento do negócio foi dado com a certificação da qualidade.


Crescimento certificado

À porta da fábrica, que se situa mesmo à beira-mar, alinham-se várias bandeiras. Há uma que deixa Rogério Veiros particularmente orgulhoso: a que indica a certificação pela norma FSSC 22000.

Foi graças à parceria com o Lidl - que se iniciou em 2010 e que em 2015 representou 32% facturação da conserveira - que esta certificação acabou por acontecer. Anteriores administrações foram adiando o processo, mas a actual acabou por reconhecer que era um passo importante para posicionar a conserveira no ranking das melhores e, ao mesmo tempo, garantir a presença das suas conservas na grande distribuição.

O processo de certificação – que implicou um investimento de meio milhão de euros - não foi fácil. “Foi preciso explicar às trabalhadoras por que razão era importante a bata ficar na empresa para ser lavada ou calçarem sapatos adequados”, explica o presidente do conselho de administração. A população da Calheta também não aceitou de ânimo leve que a empresa passasse a ter uma vedação e um portão. “Fechar as portas da fábrica foi visto com estranheza pelos jorgenses”, que estavam habituados a que a conserveira fosse “sua”.

Apesar das resistências iniciais, o selo de qualidade é uma realidade e é graças a ele que a Santa Catarina (que antes já fornecia perto de 20% das conservas de atum para a marca própria da cadeia de distribuição alemã) passou a fabricar uma marca exclusiva para o Lidl, o Bela Aurora, que desde o início de Junho está nas prateleiras e será a marca de primeiro preço (a mais barata) dos supermercados em Portugal. Com uma diferença em relação à concorrência: o peixe usado vem dos Açores. Este ano, a Santa Catarina será responsável por fornecer 40% da marca própria (que inclui também as marcas exclusivas comercializadas apenas nas lojas Lidl).

Numa empresa que vive essencialmente das exportações – em 2015, 45% da produção foi escoada para os mercados italiano, inglês e americano – esta parceria vem dar dimensão e um novo fôlego à produção. Nos planos está a possibilidade de incluir a linha gourmet das conservas Santa Catarina na lista de produtos nacionais exportados pelo Lidl para outros supermercados do grupo. Uma estratégia semelhante à que já é seguida para a pêra Rocha ou para o vinho. Também a melancia, o melão branco, as framboesas e as amoras produzidas em Portugal têm vindo a ganhar peso nas exportações da cadeia alemã.

O sector conserveiro nos Açores resume-se a cinco fábricas. Duas são da Cofaco (dona do atum Bom Petisco e que tem fábricas no Pico e em São Miguel), uma da Santa Catarina (em São Jorge), outra da Sociedade Corretora (fundada no início do século XX em São Miguel, onde mantém uma fábrica, é a mais antiga) e uma da Pescatum (situada na Terceira). A Santa Catarina, que no ano passado facturou seis milhões de euros, é a segunda mais importante e o objectivo é crescer 20% este ano.


No pulmão da fábrica

Na Santa Catarina trabalham-se diariamente 8,5 toneladas de atum. Usa-se preferencialmente a espécie bonito, que não tem quota ao nível mundial e é pescado entre a Madeira e os Açores. Cada peixe não vai muito além dos 50/60 centímetros.

Na sala do bosque (nome que vem das antigas fábricas onde se trabalhava peixe de grandes dimensões, que eram pendurados no tecto, fazendo lembrar uma floresta) uma mulher lava e cozinha os atuns, dispostos em redes. Os peixes que estão agora a ser colocados nas grandes panelas rectangulares, com a ajuda de uma grua, vão ser cozidos durante 40 minutos.

“Na Santa Catarina não usamos lombos pré-preparados. Todo o peixe é cozinhado e temperado por nós e o tempo de cozedura é controlado por nós”, explica Rogério Veiros.

Depois do peixe ser cozido, é a Susana Silva que cabe distribuir o trabalho às cerca de 100 mulheres que se alinham nos 90 metros quadrados da sala da limpeza, escolha e enlatamento.

Aos 30 anos, Susana é a mestra da Santa Catarina. Antes, esse papel era desempenhado por uma mulher mais velha, mas a direcção decidiu apostar numa pessoa mais jovem. “Inicialmente as pessoas ficavam pouco à vontade e estranhavam. Mas sinto que gostam de mim”, diz com um ar sorridente.

A função da mestra é fundamental. É ela que distribui os lotes de peixe pelas trabalhadoras, verifica se atum é aproveitado ao máximo e a qualidade dos filetes. É também ela que resolve os conflitos que surgem. Num meio pequeno como a Calheta (que tem à volta de 3500 habitantes) facilmente os problemas são levados para a fábrica.

Susana está na empresa há três anos. Veio pedir emprego numa sexta e na segunda já estava a trabalhar. Reconhece que se não fosse a Santa Catarina, a maior parte das mulheres não tinha emprego.

Pedro Pessanha, director de produção, destaca o papel fundamental da conserveira para a economia da ilha. “Muitas televisões e frigoríficos foram comprados com o salário ganho na Santa Catarina”, exemplifica.

Dentro da fábrica está calor e um cheiro intenso. Após a cozedura em água e sal, o peixe é amanhado à mão e dividido em filetes e lombos. O atum é disposto manualmente em cada lata ou frasco com cuidado redobrado, para os filetes não se desmancharem. Só os pedacinhos que resultam deste processo são enlatados com a ajuda de uma máquina, para fazer o atum corrente.

“O pulmão da indústria é a mulher, a faca e o peixe. Não há máquina nenhuma que possa substituir isso”, diz o director de produção, Pedro Pessanha, que trabalha no sector há quase duas décadas e é neto do impulsionador da Cofaco nos Açores.

Dar novos sabores ao atum
Na sala das especialidades prepara-se a “jóia da coroa” da Santa Catarina, as conservas com sabores. O atum com pimenta dos Açores, com funcho, com tomilho ou majericão já valeu vários prémios à empresa e é com estas especialidades que pretendem brilhar nas lojas Lidl de toda a Europa.

“- Hoje cheira a quê?”, pergunta Rogério Veiros logo que entra na pequena sala.

“- A poejo!”, respondem as três mulheres que ali trabalham.

Dentro das latas colocam uma pequena quantidade de ervas aromáticas e depois dispõem cuidadosamente os filetes. Depois de pronta, cada lata é embrulhada à mão, num papel que pretende imitar as páginas de um jornal e onde se sugere uma receita. 

“Tentamos aproveitar toda a história da indústria conserveira nos Açores e dar novos sabores ao atum. É a forma de a indústria tirar proveito deste revivalismo associado às conservas”, explica Pedro Pessanha.

A linha gourmet foi lançada em 2010 e a aposta parece estar a ser ganha. No primeiro ano permitiu facturar 40 mil euros, valor que passou para os 800 mil euros em 2015.

Além do interesse crescente nas conservas, há também o turismo que, no último ano, disparou nos Açores com o início dos voos low cost para a região insular. Foi precisamente para aproveitar este impulso que a Santa Catarina reformulou a imagem de uma outra marca que detém, o Bonito dos Açores.

O produto foi retirado das prateleiras dos supermercados para ser reformulado e voltou este ano com nova cara e um conteúdo de topo. “O produto tinha uma imagem pouco apelativa e dava pouco destaque à palavra Açores. Criámos uma nova imagem e candidatámo-nos a produto da marca Açores, posicionando-nos num outro patamar de qualidade e também de preço”, diz Rogério Veiros.

O futuro, reconhece o responsável da Santa Catarina, terá de passar sempre pela diferenciação, mas para isso é preciso manter uma linha de produção contínua, algo que só é possível por causa da parceria com o Lidl. 


Fonte: Público

quarta-feira, 22 de junho de 2016

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segunda-feira, 20 de junho de 2016

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sábado, 18 de junho de 2016

Venda Açoriana na Rua da Sé - Sanjoaninas 2016


O Espaço "Venda Açoriana" já abriu na Rua da Sé! 

Visite-nos durante as Sanjoaninas 2016, 
e conheça os magníficos produtos do Açores 
que temos à sua espera!



Luz e cor no desfile de abertura das festas Sanjoaninas 2016

Cinco carros e dezenas de figurantes desfilaram na última sexta-feira à noite pelo centro histórico de Angra do Heroísmo, no cortejo de abertura das festas Sanjoaninas 2016.

"Angra, Capital no Coração do Atlântico" é o tema da festa, lembrando a Capitania Geral dos Açores - primeira vez em que os Açores foram governados como um todo - que teve sede nesta cidade entre 1766 e 1832.

As festas, que transformam por completo o dia a dia de Angra do Heroísmo, decorrem até domingo, 26, e têm nos desfiles de marchas de São João o seu grande momento.

Reveja o vídeo da transmissão integral do cortejo efetuada pela RTP-Açores e pela RTP-Internacional, através do link: http://www.rtp.pt/play/p2546/e240206/sanjoaninas2016 


Fonte: Multimédia, RTP-A.



segunda-feira, 6 de junho de 2016

Workshop na Ilha Terceira: A Introdução da Inovação para Obter Vantagens Competitivas


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que ajudam a pensar no Processo de Inovação da sua Empresa?

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Inscreva-se até ao dia 20 de junho na CCAH.

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ou contate-nos através do telefone 295 204 810 
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